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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Anorexia
Magra, magra, seca, nula
Tu que és acima de mim
Some-me, consome-me
Tu que esteves tão ausente
Vê em minha carne
O vazio de quem não sente
Tu que tens a completude
Vê em mim o buraco
Empanturrado de inquietude
Tu que és pedra, és ouro
Vê em mim lacuna
O sumidouro
Tu que és sede, és fome
Vê em mim a água
E o comedouro.
Insônia
A língua do vento noturno cobre meu corpo
Já é meia-noite, hora de despertar
Despertar involuntário de quem só quer dormir
Por que não durmo, se não tenho por que acordar?
A luz da lua maltrata os apaixonados
Faz o pensamento tagarelar
Mas se eu estivesse agora em seus braços
Minha mente conseguiria se calar
Como é burra a mulher que ama
Como é dura essa minha cama
Como é triste a estrela que cai
Pra que dormir, se não sonho mais?
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Deixa como está
Cada dedo do seu toque
Eu sinto
Cada esforço no seu rosto
Afinco
Cada medo no seu toque
Eu sinto
Cada nota do seu gosto
Absinto
E sinto que você vai me deixar
Por isso não me para de tocar
Cada cheiro do seu sopro
Eu sinto
E cada beijo nesse engodo
Eu minto
E minto qu’inda vou te abandonar
Deixa como está.
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