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quarta-feira, 17 de agosto de 2022

 Velha bruxa

Bruxa nua que a fala entranha

Uma idosa difícil de olhar

Parece feliz essa velha piranha

É feia tanto de se gritar


Buraco negro que se expande

Que tudo de mim traga

Feita de desfolhar constante

Uma espécie d’esfoliante

Que de forma meio inebriante

Suga tudo como uma draga


É de uma sedução estranha

 Que captura o meu sumo

Como em teia de aranha 

Eu caio e também me consumo


Foi assim que ela me pegou

Fingindo que eu era importante

Quando a bem da verdade

Eu era apenas um mero amante.

terça-feira, 16 de agosto de 2022

 O fiel da maldade

 

O mal jamais é em si

Desde que é feito de terra nula

E o crente acredita no nada

Crendo REAL O QUE ELE SIMULA

 

Sendo esse um poder de espada

Que corta sem laminar

Que nenhum verbo exige

É um corte do negativo

De uma energia ao contrário

Que  se dissipa ao iluminar

 

Não precisa de combustível

Pra se manifestar

 

Vazio cortante e também triste

Pede a fala, o dedo em riste,

E fica mudo ao se manifestar


Feita de zero essa arma branca

Em nada custa o seu matar

 Izabela

 

Que cor de pedra tens nos olhos?

Que brilham vibrantes e amarelos

Fitando fiéis sobre giolhos

Tesouros de mundos paralelos


Mal sabem eles que guarnecem

Ouros muito mais pesados

Não há pedras que enaltecem

Tanto brilho represado


São resumo de tais cores

Oprimidas em  concreto

Que só se exprimem em dores

Embotadas de afeto

 

Imperito é o criador

Apaixonado e prepotente

Diante do auge como autor

Caiu fraco e impotente.




 Família Tradicional Brasileira

 

 Eu queria ser você

Seria tudo tão mais fácil

Mas não sei ser você

Tento e findo em fracasso


Você é tão estéril

Bonito, fixo, estático

E eu sou tão histérica

De passo sujo e errático


Acusas irracionalidade

Devaneio, crise e solidão

Enquanto vivo em ambiguidade

Carregando fogo em minha mão

 

Não sei ser certinha

Muito menos asseada

Eu sou louca e galinha

Sou a virgem depravada



Se tu queres direção

Eu sou a tua estrada

Sem sinalização

E sem  pista pintada


Não me importa o teu erro

Ou tua certa jornada

Só me importa o MEU erro

E a minha hibernada


Se tu és carta marcada

Sou aquela que sobrou

Sou coringa, sou safada

Sou a dama que encalhou

 

E quando olhas no espelho

Vês figura muito triste

Sabes ser mero crentelho

Mas manténs o dedo em riste

 

Se eu fosse mais ingênua

Cairia  nesse embuste

Mas a minha alma é nua

Não se molda em ajuste


Eu sou livre, desarvorada,

Feita de pura paixão

Enquanto és vida achatada

Com sentido todo em vão.