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quarta-feira, 9 de setembro de 2015


A alegria do desencontro


Após tanto encontro, longa jornada
Desafetos, broxices, desilusão,
Chegou, enfim, a data marcada
Da noite que seria a perfeição

Ao te ver escutei várias palavras
Mas cobri todas com a minha língua
Ouvi o contrário de todas as mágoas
Pois era cansada de amor à míngua

Surda, ouvi dizer que me amava
Cega, vi meu anjo, meu amor
Estava decidida e meio tapada
“Meu príncipe”, disse interno clamor

A noite mocha achei impecável
Na falta de assunto, concluí timidez
A cada prova de amor refutável
Apaguei os lampejos de lucidez

Era apenas uma tela em branco
Na qual meu sonho se ergueu
Ignorei-te, mesmo que franco

E vivi o amor que é só meu.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Fantasia Ingrata

Tu és musa bela e brilhante
Mas também és filha ingrata
Te revelastes cruel tratante
És quem de frio aos poucos mata

Quando brilhas beleza plena
Não te lembras de quem te deu?
Esquecestes? És toda Helena!
Cada cor, matiz. Tudo é meu!

Com muitos adornos te vesti
Pus tuas tintas com pincel caro
Após tantos presentes descobri
Que me largarias no desamparo

Desfilas linda tua luz errática
E a ostentas como se fosse eu
Estou triste aqui, monocromática
Esquecida no meio de um breu

Morando em realidade modesta
Em preto e branco, unidimensionada
Eu me pergunto: "O que me resta"?
Lembro que sou à fantasia fadada.